Fi-lo Canto de Sophia

Wednesday, April 19, 2006

Um momento de silêncio no caos acústico



Uma oração a Mãe - Santa Sofia ( sagrada sabedoria)

Oh Sabedoria Antiga
mãe de todas nós:
Vem até nós, tuas filhas.

Serena-nos. Acalma-nos.
Ensina-nos a ouvir nossa respiração.
Fala-nos nas batidas de nosso coração.

Concede-nos um espaço seguro e silencioso,
Onde podemos vislumbrar ( ainda que parcialmente),
o caminho da santidade
E colocar nossos pés sobre ele. Amém .
(Linda T. Finney - Seattle, EUA )

Sunday, April 16, 2006

Et c'est fini


Putz , acabou o feriado .
Quase nada consegui fazer ... é sempre assim, né ?
Mas, estou feliz . Ontem consegui reiniciar a troca de idéias com Pedro , no syxt. Dessa vez falamos sobre
e-learning, ja vi que aprenderei um bocado.
Hoje passei o dia entre papeis e papai , papai e papéis !
Não sei o que foi mais complicado, mas valeu passar o domingo de páscoa com papai e minha boadrasta .
Ah, e quanto aos papéis , juro que pra declaração do IR do ano que vem , estarei mais organizada :-))

Sophia quer sonhar , amar, criar ...
Eu queria muito ter "viajado" mais neste feriado, mas , tudo bem , outro vem aí .

Prá não dizer que não falei das flores , lembrei :

"eu gosto dos venenos mais lentos
dos cafés mais amargos
das bebidas mais fortes
e tenho
apetites vorazes
uns odores
que sinto chegar
eu sonho
os delírios mais soltos
os gestos mais loucos
que há
e sinto
uns desejos vulgares
navegar por uns mares
de lá
você pode me empurrar pro precipício
não me importo com isso
eu adoro voar ..."

e voou

Friday, April 14, 2006

Sexta-feira Santa


Feriado , dia nublado.
Clima acinzentado, triste ... o que aconteceu ?
Toda a natureza em sintonia com o que a data lembra ?
Acordei cedo, animada, e com minha caneca de café fui observar meu quintal.
Há um sentimento de reverência , sim .
O que é a sexta-feira santa prá mim ?

Silêncio
Rubem Alves

Uma bolha sobe do fundo do mar ...
Uma palavra sobe das funduras do nosso silêncio
inesperada,
impensada,
emissária de um mundo esquecido,
perdido:
suspiro,
nosso mistério,
nossa verdade,
oração.

Há palavras que dizemos porque delas nos lembramos.
Possuídas, guardadas, ficam lá, à espera,
e vêm, obedientes, como animais
domésticos...

Mas há palavras que não dizemos: elas se dizem,
apesar de esquecidas.
Não são nossas :
moram em nós, sem permissão, intrusas
e não atendem a nossa voz.
São como o Vento,
que sopra onde quer.
e não sabemos nem como veio e nem para onde vai.
Só ouvimos o sopro.
Nós dizemos : só ouvimos.
Assim as palavras da oração, esquecidas:
elas se dizem.
Fica a surpresa de que um pássaro selvagem como aquele
more em nós sem que o soubéssemos.

A palavra que diz a nossa verdade não habita em nosso saber,
Foi expulsa da moradia dos pensamentos.
Sua aparência era estranha, dava medo.
Agora habita em porões,
mais no fundo:
longe do que sabemos,
ali, onde não pensamos,
ao abrigo da luz diurna,
no lugar dos sonhos,
suspiros sem palavras.

Elas são tímidas .
Não se misturam.
Falam uma língua estranha.
Babel,
que não entendemos,
e dizem do ar frio das montanhas
e da escuridão dos abismos.
Mas somos moradores das planícies
onde todos falam para não ouvir ...

Temos medo das palavras que habitam as bolhas submarinas,
Por isso falamos.
Matracas: ferro na madeira;
clate/clate/clate/clate/clate,
palavras
contra a
Palavra.
Horror ao silêncio: nele moram as palavras de que fugimos:
Sobem do fundo do mar quando se sabem sozinhas ...

...

Entra no silêncio
longe de muitas palavras
e escuta uma única Palavra
que irá subir do fundo do mar.
Uma unica Palavra é mais poderosa que muitas:
pureza de coração é desejar uma coisa só ...
Uma única palavra:
aquela que dirias
se fosse a última a ser dita.
Basta ouvir uma vez e, então,
o silêncio...
Como Vênus, brilhante,
na imensidão azul do sol poente...
Antes que tu a tivesses ouvido,
o seu suspiro já reverberava pela eternidade ...
Enquanto ela morava no teu esquecimento,
Deus já a ouvia
e tremia ...

Faze silêncio...
Ouve...

Thursday, April 13, 2006

The Day After



Quinta-feira de páscoa.
Lindo dia de outuno ... céu azul, brisa fresca !

Eu pensava em como dividir este espaço de forma que eu pudesse colocar aqui todos meus insights.
Ontem , ao dormir, folheei Fausto e lembrei que M. Berman cita Fausto de Goethe , no livro "Tudo que é sólido desmancha no ar".
Para Berman, Fausto retrata mudanças sociais e econômicas, reproduzindo a transformação e as vertigens dos amplos movimentos de toda a sociedade .
Tudo isso está me vindo a tona ,por conta da pesquisa para meu trabalho de faculdade sobre cultura organizacional.
Mas, a analogia é excelente .
Fausto passa por três metamorfoses :
na primeira - O Sonhador - ele luta para encontrar um meio de expressar a grandeza de sua vida interior através das ações do mundo exterior .
na segunda - O Amador - Fausto aprende a amar
na terceira - O Fomentador - fausto aprende a construir e a destruir, conectando sua existência pessoal às forças sociais , políticas e econômicas .
A força vital que gera sua riqueza, dinamismo e ímpeto transformador é seu desejo de desenvolvimento, um processo dinâmico que funde autodesenvolvimento e desenvolvimento social/economico e une todas as experiências humanas ( Thomaz Wood Jr).
Legal, né ?
Então, por hora , Sophia copiará Fausto, se subdividindo em "Sophia que Sonha" , "Sophia que Ama" e " Sophia que Cria".

Ah, estou amando isso tudo !!!

Livro de Leitura
Johann Wolfgang von Goethe ( 1749-1832)

O mais singular livro dos livros
É o Livro do Amor;
Li-o com toda atenção:
Poucas folhas de alegrias,
De dores cadernos inteiros.
Apartamento faz uma seção.
Reencontro ! Um breve capítulo,
Fragmentário. Volumes de mágoas
Alongados de comentários,
Infinitos, sem medida.
Ó Nisami! - mas no fim
Achaste o justo caminho;
O insolúvel, quem o resolve ?
Os amantes que tornam a encontra-se .



Wednesday, April 12, 2006

Nasceu meu blog !!


"Como se faz para pintar uma flor
que nasceu de um sonho de criança
com que tintas se pinta uma ilusão
e com que cores se colore o amor
Como se faz para escrever canções
que falem da luz daqueles olhos tristes
que falem do riso que não se escutou
e do que a gente nunca se esqueceu
Como se faz para não se esquecer
do que foi somente um dia a mais na vida
do que é feita a ilusão da vida
e de que cor eu pinto o esquecer
Não sei de cores e não sei pintar
sei bem demais só de esquecimento
mas como vou pintar este momento
em que pergunto como é que se faz "

Regina Werneck

Pois é , não faço idéia de como se faz
Mas, o caminho se faz caminhando ,
e antes que tudo caia no esquecimento
aqui registrarei minhas impressões .